de Zeh Fernando – www.pessoal.zefernando.com Extraído do Design.Blog
- O cliente liga pra gente pedindo uma pizza e está mais preocupado com a aparência da pizza do que o conteúdo real dela.
- No meio do trabalho de confecção da pizza, o cliente liga pedindo pra você mandar pra ele um /preview /de como está ficando a pizza para a aprovação (ou desaprovação) dele.
- Após o cliente acima receber a /pizza-preview/, ele pede pra fazer “uma pequena alteraçãozinha”: substituir a mussarela amarela por mussarela verde, simplesmente porque ele gosta mais de verde. Isso faz com que você tenha que jogar a pizza antiga fora e produzir uma nova, que além de dar mais trabalho, ficará bem mais feia.
- O cliente te liga numa noite qualquer pedindo 500 pizzas para serem feitas em 15 minutos, pois ele tem uma festa pra ser iniciada e resolveu te ligar só agora.
- Você destaca seus melhores pizzaiolos para atender a esse cliente porque seu pedido é ‘mais importante’ e deixa as pizzas dos outros clientes de lado, o que faz com que todos eles liguem pra reclamar que a pizza deles não esta pronta dentro do prazo.
- Após você produzir quase todas as pizzas do cliente acima, ele te liga avisando que não precisa mais de pressa porque ele errou a hora. Na verdade, você ainda tinha 4 horas pra produzir as pizzas.
- O cliente te pede pra colocar as azeitonas de forma simétrica de modo a dar destaque a área central da pizza, que afinal é a área mais importante do disco e é a primeira área que o cara que for comer a pizza deverá ver ao bater o olho nela.
- O cliente ouve falar de um novo “ingrediente da moda” e simplesmente se convence de que sua pizza deverá ter esse ingrediente, apesar do ingrediente ser inútil nesse caso e só dar mais dor de cabeça para ser implementado.
- O cliente pede uma entrega urgente que precisa ficar pronta em 2 minutos. Após você usar os seus melhores pizzaiolos, até contratar pizzaiolos freelancers pra fazer o serviço e atrasar novamente os outros serviços, você faz a entrega para o cliente e ele demora 4 horas pra
começar a comer as pizzas.
- Ele pede que a pizza funcione perfeitamente mesmo pra quem gosta de pizzas pequenas, médias ou grandes, sem saber que isso demanda no triplo de esforço necessário, e não quer saber de pagar a mais por isso.
- Você faz uma pizza maravilhosa e entrega pro cliente, e ele então liga pra você pra reclamar que ele não tem garfo e faca, que são necessários pra comer a pizza.
- Um possível cliente te liga pra pedir uma pizza e quando você pergunta que pizza que ele quer, ele te responde que não sabe, que só quer uma pizza porque todo mundo que ele conhece tem uma.
- O cliente te liga, pede uma pizza super incrementada e trabalhada, e simplesmente não entende como você pode cobrar tão caro por essa pizza, sendo que o boteco da esquina dele faz uma pizza por bem menos.
- Outro cliente te liga e pede uma pizza e fica abismado com o preço que você que cobrar por ela, e ele te diz que o sobrinho dele faz uma pizza por um décimo do preço que você pede (ele usa um template de pizza semi-pronta comprada no Carrefour).
- O cliente te liga e pede uma pizza linda, mas avisa que ja pediu a mesma pizza pra 5 outras pizzarias e só pagará a que ele gostar mais.
- O cliente te liga e pede que a pizza dele tenha todos os ingredientes possíveis e imagináveis que você tem no seu estoque, mesmo os mais absurdos possíveis, achando que isso fará a pizza mais atrativa a quem for come-la.
- O cliente pede a pizza, sem problema nenhum, mas você não poderá entrega-la por motivos de segurança. Ele não quer que você entre na casa dele, então você terá de entrega-la na casa do agente de segurança dele, que mora do outro lado da cidade, que então a entregará pro cliente…que mora do lado da pizzaria.
- O cliente não tem amigos americanos, nem espanhóis e nem nada em casa, mas mesmo assim te pede que você mande uma pizza com versões em inglês, espanhol, japonês, javanês, svenska, paquistanês, francês e gaulês.
“O Presidente Lulla sancionou nesta quinta-feira uma lei que institui mais um feriado nacional, trata-se de um projeto de lei criado pelo senador Babalorixá Joãozinho do Caveira (PNdaM-BA), que institui o Dia Nacional da Marcha para Exu. Estavam presentes os representantes de diversas denominações religiosas, da Macumba, da Umbanda, da Quimbanda, do Candomblé, do Tiriri-Crioulo, do Xangô de Pernambuco e do Batuque do Rio Grande do Sul.
Após a assinatura os religiosos tocaram tambor e fizeram uma gira para o Exu Tranca Ruas e pediram pela saúde da ministra chefe da casa civil, Dilma Roussef.”
A notícia acima é fictícia, mas imaginem a contrariedade que ela causaria nos cristãos, nos católicos, nos evangélicos. Imaginem que ela fosse verdade. Pois é, não basta já o excesso de feriados que somos obrigados a aguentar, mais um foi criado na calada da noite, que só foi noticiada pelos meios de comunicação depois de aprovada. Não basta a carga tributária que os empresários e cidadãos já suportam, ainda terão mais um dia sem produção para homenagear uma entidade religiosa.
Não importa que a entidade religiosa seja o messias cristão, ou o elefante indiano, ou a caveira da macumba, é mais um dia que não teremos para trabalhar, que todos serão afetados, independente da cor, credo ou opção sexual.
Vivemos em um país secular, sem credo religioso oficial, mas pelo visto, estamos sendo tomados de assalto pelos talibãs das igrejas evangélicas. Para eles tanto faz, pois é mais um dia para correr a sacolinha e comprar emissoras de TV e imóveis milionários em Miami.
Relaxem os evangélicos, católicos e cristãos de plantão, a notícia verdadeira é essa, infelizmente:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (3) a lei que cria o Dia Nacional da Marcha para Jesus. A comemoração ocorrerá anualmente no primeiro sábado 60 dias após o feriado de Páscoa.
Em cerimônia reservada, os representantes das principais denominações evangélicas estavam presentes: Igreja Universal do Reino de Deus, Assembléia de Deus, Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra e Igreja Batista.
O evento teve origem em Londres e o projeto é do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Pouco antes da cerimônia, os religiosos deram as mãos e rezaram pela saúde de ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que foi cumprimentá-los antes do evento.
Entre os religiosos presentes estavam o senador Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal, e o bispo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer.”
Texto de Julio Gonçalves
Comentário de Chato-Mor
Um dia dessses ainda sai no jornal:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sempre foi chegado a uma branquinha, sancionou nesta quinta-feira a lei que cria o Dia Nacional da Marcha ao Happy Hour. A comemoração ocorrerá mensalmente na primeira sexta depois do dia do pagamento mensal a que todo trabalhador tem direito – o que deveria excluí-lo, mas ele não tá nem aí.
Em cerimônia reservada, os mais ilustres boêmios estavam presentes. Mussum, Bóris Yeltisin e o Santo foram homenageados com uma rodada para cada um.
O evento teve origem num barzinho da Lapa e o projeto é do bloco Boêmios da Senado. Pouco antes da cerimônia, os presentes cantaram “Boêmia” de Nelson Gonçalves, bebericando uma caipirinha.
Entre os presentes estava o presidente da Ambev, João Castro Neves, que garantiu que quem pagaria a despesa seria o Sarney, com um ato secreto.”